terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O livro de Godric
Há poucos dias aconselhei Godric a escrever suas memórias, sua rotina, em um livro já que o nome diário poderia fazê-lo se sentir uma donzela que ainda não teve as regras para lhe tornar mulher. Primeiramente aquilo, tenho certeza, o deixou intrigado. Um homem tão bem qualificado como ele escrevendo um livro de memórias? Insisti tanto que tenho certeza de que o convenci, até porque usar como argumento o fato de Rowena ter descoberto como gravar, por encantamento, as nossas memórias bem além de apenas a escrita encanta qualquer um.
Ela me ensinou o encantamento e já pratiquei-o várias vezes, mas ainda assim prefiro ser um pouco mais caseira e escrever as minha memórias de forma menos mágica... Ou melhor garantir a magia pela emoção que ficam contidas na tinta que uso para escrever, na forma como transcrevo as palavras. Ah, a magia das palavras. Rowena com todo o conhecimento dela precisa de formas de expor que tanto estudo acrescenta magia em alguma coisa e apenas usa o encantamento descoberto. Salazar tenta passar a imagem de alguém que não vê necessidade nisso... Em gravar suas memórias dizendo sempre "A tradição oral me manterá vivo" ou ainda "As serpentes do castelo nunca se esquecerão de mim". Porém eu sempre acho que quando entro em nosso Salão Principal ele está escrevendo algo que luta para esconder.
Salazar Sonserina é o tipo de pessoa com a qual muitos se irritam e outros nem querer conhecer de perto. O senso de superioridade dele é tanto que empobrece-o no campo fraterno. Sua família sempre fora rica e eles sempre prezaram pelo melhor, já que eram os melhores e poderiam ter tudo. Incluindo ter os outros, a razão dos outros e comprando a razão dos outros tudo poderiam ter. Contudo mostrei a ele que não precisaria e nem deveria e nem eu mesma queria ser comprada, em termos intelectuais e/ou de convivência. Vi nele um homem solitário que expõe toda a soberania, todo o domínio de um rei de um grande império para que ninguém o olhasse de fato como homem, apenas um singelo homem cercado por ninguém.
Eu já disse muitas vezes a ele que ele poderia ter todo o dinheiro e poder do mundo, mas isso nunca o faria calar a solidão que ele insiste em não sentir. Mas em viagens com o meu Senhorio eu vi o quanto o poder isola para depois abandonar os homens. Suga-os primeiro a ambição, alimenta-os de soberba e os deixa cair sozinhos sem ninguém para segurá-los. Por isso que eu tanto quis ser sua amiga, sua colega, mesmo que nos tempos atuais entre bruxos e não-bruxos as mulheres ainda sejam vistas como seres inferiores. Todavia tenho certeza de que um dia isso mudará. Conquistei a amizade de Salazar lhe demonstrando que poderia confiar em mim, pelo menos creio eu que foi assim que nos tornamos mais próximos.
Mas olhe só, divaguei tanto desde que contei sobre o Livro de Godric. Os alunos dele nem imaginam que existe... Ou que um dia será feito. Nem mesmo os meus alunos. Espero que encontrem depois de muito tempo.
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